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Neil Gaiman quer vir ao Brasil para o lançamento de seu novo livro

neil gaiman

O novo livro de Neil GaimanThe Ocean at the End of the Lane – o primeiro para adultos desde Filhos de Anansi, de 2006 – sairá no Brasil em 2013 pela editora Intrínseca. Embora a data ainda não esteja confirmada, o lançamento trará a reboque o próprio Gaiman para uma nova visita ao Brasil. Talvez a última.

Em seu Tumblr, o autor explicou que está planejando sua turnê de lançamento a partir de junho, quando o livro sai nos EUA e no Reino Unido. E diz que pode ser a última de sua vida. “Turnês são muito cansativas, num nível que ninguém acredita. Adoro conhecer gente, mas depois da sexta hora de autógrafos, pra gente que está na fila há sete horas, não é mais legal para ninguém. Então vou dar um jeito dessa turnê ser das grandes, e aí encerrar”, escreveu.

“E vou fazer o possível para ir a lugares onde não costumo ir, ou aonde não vou há muito tempo, quando o livro for publicado – como o Brasil e a Polônia”, complementou Gaiman. O inglês (que mora nos EUA) já esteve no Brasil em 2001 (uma sessão de autógrafos em São Paulo da qual guarda memórias de carinho e medo) e para a Flip 2008.

The Ocean at the End of the Lane, segundo descrição da editora original, é “uma fábula que repensa a fantasia contemporânea: comovente, aterrorizante, melancólica – pura como um sonho, delicada como uma asa de borboleta, perigosa como uma navalha no escuro, do gênio narrativo de Neil Gaiman. Para nosso narrador, começou há 40 anos, quando o inquilino da família roubou o carro e nele cometeu suicídio, provocando poderes antigos que deviam ter ficado imperturbados. Criaturas que não são deste mundo estão à solta, e tomarão tudo que nosso narrador tem apenas para manterem-se vivas: há terror primitivo, e uma ameaça – dentro desta família e entre as forças que se reuniram para destruí-lo. Sua única defesa são três mulheres, numa fazenda no fim da rua. A mais jovem diz que seu lago é o oceano. A mais velha lembra-se do Big Bang”.

O próximo ano também representará o retorno de Gaiman a Sandman, numa minissérie programada pela DC/Vertigo para o final do ano (com desenhos de J.H. Williams III). Com sorte, até lá também se tenha novidades sobre a adapação de Deuses Americanos, outro de seus livros, como seriado da HBO.

Fundadora e editora do selo Vertigo vai deixar o cargo em 2013

Karen Berger diz que vai buscar “outras oportunidades profissionais”

Karen Berger

Karen Berger, a editora que fundou o selo Vertigo na DC Comics  e foi a principal líder da linha em suas duas décadas de existência, vai deixar o cargo. A DC informou oficialmente que Berger sairá da empresa em março de 2013, por decisão pessoal.

Berger, que começou carreira ainda jovem na DC, em 1979, ficou responsável pelas séries de terror na editora no início dos anos 80. Deu liberdade para Alan Moore criar tramas adultas em Monstro do Pântano, o que levou a um sucesso de crítica que a transformou em contato da DC com a cena de quadrinhos britânica – onde ela passou a ir regularmente para recrutar quadrinistas. Daí vieram Neil Gaiman, Grant Morrison, Jamie Delano,Garth Ennis e Sandman, Hellblazer, Batman: Asilo Arkham e, em 1993, a Vertigo, que trouxePreacher, Invisíveis, Transmetropolitan, Y: O Último Homem, 100 Balas, Escalpo, Vampiro Americano e uma longa lista de sucessos.

Berger diz no comunicado oficial que deseja “mudança profissional e sai em busca de novas oportunidades”. A reação do mercado é outra: o Bleeding Cool lista a importação de personagens Vertigo para o universo de heróis DC (Hellblazer, série mais longeva da Vertigo, sendo a gota d’água), as mudanças nos contratos do selo (durante um longo período, os autores mantinham boa parte dos direitos sobre as obras; com estes direitos bem reduzidos, vários pararam de trabalhar com a Vertigo), a mudança hierárquica que fez Berger reportar ao editor-chefe da DC Bob Harras e não mais à presidência da editora e a demissão do diretor de arte Richard Bruning, marido de Berger, em 2010 como motivos fortes para a saída.

A DC diz que a Vertigo ficará a cargo de “funcionários veteranos de quem [Berger] foi mentora ao longo dos anos”Will DennisShelly Bond e Mark Doyle  são os principais editores atuais da linha, com certo respeito no mercado. A especulação, porém, é de que a Vertigo vai deixar de existir sem sua fundadora e sem a política editorial que a DC mantinha até recentemente.

O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman, em quadrinhos

P. Craig Russell comanda a adaptação, que terá outros sete artistas

O Livro do Cemitério

Enquanto não acontece a adaptação para o cinema de O Livro do Cemitério, livro infanto-juvenil de Neil Gaiman ilustrado por Dave McKean, o material já está pronto para ganhar sua versão em quadrinhos. P. Craig Russell confirmou ao CBR que está trabalhando na graphic novel, que será um livro portentoso com mais de 350 páginas e colaborações de outros sete artistas.

Russell, que já adaptou Coraline e Sandman: Caçadores de Sonhos a partir da prosa de Gaiman, está roteirizando e fazendo o layout de todas as páginas. A partir daí vai entregar seções do livro a Kevin Nowlan, Tony Harris,Galen Showman, Jill Thompson, David LaFuente,Michael Golden e Scott Hampton. Hampton, ele adianta, ficará com mais ou menos cem páginas, o capítulo mais longo.

O Livro do Cemitério  conta a história de um órfão que vive num cemitério e é criado por mortos-vivos, até ter a chance de reencontrar o assassino dos pais. Foi publicado no Brasil  pela editora Rocco. A adaptação para os quadrinhos sairá nos EUA pela editora Harper Collins.

Saiba mais sobre Neil Gaiman

Uma pessoa que me inspira muito, admiro muito seu trabalho e sua história, espero que se sintam como eu.

Neil Richard Gaiman nasceu em 10 de novembro de 1960, na cidade de Portchester, no sul da Inglaterra. É considerado um dos maiores roteiristas de quadrinhos dos últimos 20 anos e atualmente mora em Minneapolis, nos Estados Unidos. Casado e pai de três filhos (duas meninas e um menino), como bom inglês, adora futebol e não dispensa um chá após as refeições.

Foi jornalista, mais especificamente, crítico de HQs. Mas, para sorte dos leitores, abandonou as redações e passou a se dedicar aos quadrinhos. Seu primeiro trabalho foi Violent Cases, publicado pela editora inglesa Titan Books, no meio da década de 1980.

Violent CasesEm seguida, Neil Gaiman e Dave McKean (o desenhista de Violent Cases) foram convidados por Karen Berger e Dick Giordano para trabalhar na DC Comics . A estréia da dupla foi com uma personagem de segunda linha, a heroína Orquídea Negra. Mas, em apenas três edições, Gaiman mostrou do que era capaz. A mini-série foi um sucesso de público e crítica e gerou um convite para escrever uma revista mensal, revitalizando outro personagem antigo da “Era de Ouro” (período compreendido entre as décadas de 1940 e 1950). O escolhido foi Sandman.

O autor descartou praticamente tudo do personagem antigo (um milionário que saía à noite, trajando uma máscara de gás, chapéu de feltro e uma capa; e colocava os bandidos para dormir – literalmente – com uma pistola de gás), menos o nome. Partindo do conceito da lenda do personagem encantado que soprava areia mágica nos olhos das pessoas para elas dormirem ou terem pesadelos, o Senhor dos Sonhos, o Príncipe das Histórias, construiu um universo intrincado, permeado por inúmeras referências mitológicas e literárias.

SandmanGraças à qualidade do texto de Gaiman, Sandman, agora com um ser esquálido, com pele pálida e cabelos negros arrepiados, conquistou milhares de leitores pelo mundo inteiro, por resgatar a antiga habilidade de contar boas histórias. Todas as 75 edições foram lançadas no Brasil pela Editora Globo , de 1989 a 1998.

Como muitos leitores jovens não acompanharam a saga toda, já houve tentativas de republicar o material. Em 1999, saíram os sete primeiros números, pela Tudo em Quadrinhos/Fractal/Atitude, mas após tantas mudanças de nome, o resultado foi a falência da editora. Em 2001, a Brainstore  lançou as edições # 8 e 9, mas não se sabe se haverá continuidade.

O Mestre dos Sonhos abriu inúmeras portas para Gaiman. Então, vieram outros trabalhos de sucesso, como as mini-séries Livros de Magia, Morte – O Grande Momento da Vida (publicadas aqui pela Editora Abril , em 1991 e 1997, respectivamente) e Morte – O Preço da Vida (Editora Globo, 1994) e a série regular Miracleman (um dos melhores trabalhos com super-heróis já vistos), na qual substituiu Alan Moore, mantendo o excelente nível das histórias.

Smoke and MirrorsSeu sucesso extrapolou os limites dos quadrinhos. Ele escreveu o romance Good Omens, em parceria com Terry Pratchett e ganhou um prêmio da crítica especializada pela coleção de contos Angels and Visitations. Essa obra, algum tempo depois, foi acrescida de novos materiais e rebatizada como Smoke and Mirrors: Short Fictions and Illusions, que deverá ser lançada no Brasil pela Via Lettera Editora .

Também no campo literário, assinou The Day I Swapped My Dad for 2 Goldfish, um livro para crianças e adultos (com ilustrações de Dave McKean), no qual um garoto troca seu pai por dois peixinhos dourados.

Nos quadrinhos, roteirizou Signal to Noise, a história de uma cineasta à beira da morte, Mr. Punch, uma graphic novel com vários elementos autobiográficos e Stardust, uma ficção científica, com desenhos soberbos de Charles Vess, que será lançada em breve pela Conrad Editora . Também produziu uma história para a minissérie Batman Preto & Branco, assinou a minissérie The Last Temptation, baseada num disco do cantor Alice Cooper e escreveu uma edição de Spawn, o personagem criado por Todd McFarlane.

The Day I Swaped Dad for Two GoldfishesMesmo quando faz apenas uma “pequena participação”, Neil Gaiman deixa sua marca. Prova disso foi essa colaboração em Spawn, na qual criou os personagens Angela, Spawn Medieval e Cagliostro, que passaram a ter grande importância, chegando até a ganhar histórias-solo.

Seu trabalho chegou também à televisão, onde roteirizou a série Neverwhere, para a BBC, de Londres. E até na música Gaiman já se aventurou, compondo canções para CD’s das bandas Flesh Gouls e The Return of Pansie Smith and Violet Jones.

Recentemente, Gaiman fez a adaptação do anime Princess Mononoke, um dos maiores sucessos do cinema japonês.

Mesmo assinando inúmeros trabalhos de qualidade, sua ligação com Sandman parece perpétua (com o perdão do trocadilho). Nem quando decidiu terminar a série, em 1996 (segundo ele, “toda boa história tem começo, meio e fim; e Sandman era uma boa história”), esse elo se rompeu.

Felizmente, Gaiman deixara uma “porta aberta”, para que novas histórias do universo do personagem fossem contadas. O resultado? Obras belíssimas, como Sandman: Os Caçadores de Sonhos, um livro escrito por ele e ilustrado pelo japonês Yoshitaka Amano e O Livro dos Sonhos, uma série escrita a várias mãos, usando os conceitos criados por Neil Gaiman e expandindo o mito de Sandman. Ambos foram lançados recentemente no Brasil, pela Conrad Editora.

American GodsOs próximos trabalhos de Neil Gaiman mostram bem o seu ecletismo para escrever para diversas mídias. Ele está finalizando um filme da irmã mais velha de Sandman, a Morte. O seu livro American Gods, uma fantasia urbana moderna, onde o autor coloca os mitos, deuses e lendas antigos na América contemporânea, tem até uma contagem regressiva do tempo que falta para o lançamento no seu site oficial , tamanha a expectativa. A previsão é que se torne um best-seller. Nos quadrinhos, está preparando uma antologia, em capa dura especial, chamada The Endless (em português, Os Perpétuos, como é conhecida a família de Sonho e seus irmãos: Morte, Destino, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio), com tramas de 10 a 25 páginas para cada um deles.

Em sua primeira visita ao Brasil, em 1995, Gaiman não hesitou em afirmar que já havia “roubado” muitas idéias dos seus sonhos. Hoje, quase seis anos depois, seus textos continuam conquistando os leitores que, quando estão com uma de suas obras nas mãos, literalmente, sonham acordados.

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