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Artes originais de Mike Deodato Jr, desaparecidas há anos, surgem na internet

Uma das mais longevas revistas em quadrinhos publicadas pelaEditora Abril foi A Espada Selvagem de Conan, que trazia as aventuras do bárbaro criado por Robert E. Howard quando ele era licenciado pela Marvel Comics.

Lançada em 1984, durou 205 edições até ser cancelada, em 2001, época em que a editora diminuiu drasticamente suas publicações na área depois de perder os direitos da Marvel e, pouco depois, da DC Comics, para a Panini Comics.

O título apresentou capas exclusivas em vários números, ilustradas por desenhistas brasileiros como Mozart Couto, Ivan Reis, Marcelo Campos, Rogério Vilela, Hermes Tadeu, Octavio Cariello, Alexandre Jubran e Roger Cruz, dentre outros.

Foi o Caso de Mike Deodato Jr, que, entre 1998 e 1999, fez diversas ilustrações para a Abril usar nas capas de A Espada Selvagem de Conan.

Esses trabalhos de Deodato voltaram a virar assunto agora, quando uma arte original produzida por ele foi postada no Facebook, para ser comercializada. Isso rapidamente chamou a atenção do desenhista por um motivo bastante desagradável: esses desenhos são obras originais feitas para aEditora Abril e nunca foram devolvidas depois de publicadas.

Ou seja, a venda dessas artes é ilegal. “São artes roubadas. Foram feitas para uma série de capas que jamais me foram retornadas, não as comprem, a não ser que seja diretamente de mim”, declarou o artista, em sua conta no Twitter.

A pessoa que postou uma dessas artes revelou que o desenho veio junto com um material descartado pela editora. Deodato está tentando reavê-la.

“Culpa da Editora Abril. Desrespeito total pelo autor nacional… muito chata essa situação, e olha que cobrei muitas vezes deles e nunca obtive nenhuma resposta”, revelou Deodato pelo Facebook.

Universo HQ entrou em contato com a Abril, para saber como os materiais saíram de seu acervo e caíram nas mãos dessas pessoas. A editora, no entanto, preferiu não responder diretamente sobre os problemas relatados. Mas fez uma declaração oficial sobre o assunto: “A Editora Abril não comercializa artes de seus artistas colaboradores sem a expressa autorização destes. A Abril não sabe como as artes de Conan foram colocadas à venda, não apoia e não se responsabiliza por essa comercialização”.

Em outros sites, é possível encontrar mais desses originais de Mike Deodato sendo vendidos, alguns deles custando até US$ 1,800.00.

A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.A Espada Selvagem de Conan - Arte de Mike Deodato Jr.

História do bárbaro Conan

O maior herói da Era Hiboriana não foi um hiboriano mas um bárbaro, Conan da Ciméria, ao redor de quem gira todo um ciclo de lendas. Das civilizações mais antigas da época hiboriana e atlante, sobrevivem somente algumas poucas narrativas fragmentadas, meio lendárias. Uma delas, Crônicas da Nemédia, fornece a maior parte do que é conhecido sobre a carreira de Conan. A seção que trata de Conan começa assim:

‘Saiba, ó Príncipe, que entre os anos quando os oceanos tragaram a Atlântida e as reluzentes cidades, e os anos quando se levantaram os Filhos de Aryas, houve uma era inimaginável, repleta de reinos esplendorosos que se espalharam pelo mundo como miríades de estrelas sob o firmamento. Nemédia; Ophir; Brithúnia; Hiperbórea; Zamora, com suas lindas mulheres de negras cabeleiras e torres de mistérios e aranhas; Zíngara, com sua cavalaria; Koth, que fazia fronteira com as terras pastoris de Shem; Stygia, com suas tumbas protegidas pelas sombras; Hirkânia, cujos cavaleiros ostentavam aço, seda e ouro. Não obstante, o mais orgulhoso de todos era Aquilônia, que dominava supremo no delirante oeste. Para lá se dirigiu Conan, o cimério, de cabelos negros, olhos ferozes, espada na mão, um ladrão, um saqueador, um matador, com gigantescas crises de melancolia e não menores fases de alegria, que humilhou sob seus pés os frágeis tronos da terra. Nas veias de Conan corria o sangue da antiga Atlântida, engolida oitocentos anos antes de sua época pelos mares. Ele nasceu num clã que reivindicava uma região a noroeste da Ciméria. Seu avô foi membro de uma tribo do sul que havia fugido de seu próprio povo por causa de um feudo de sangue e, depois de uma longa migração, refugiou-se entre os povos do norte. O próprio Conan nasceu num campo de batalha, durante uma luta entre sua tribo e uma horda de vanires. Não há registros de quando o jovem cimério teve o primeiro contato com a civilização, mas já era um lutador conhecido ao redor das fogueiras do Conselho antes de ter visto quinze invernos. Naquele ano, os cimérios esqueceram seus feudos e se uniram para repelir os gunderlandeses, que haviam forçado sua passagem pela fronteira da Aquilônia, construindo o posto fronteiriço de Venarium e colonizando os pântanos do sul da Ciméria. Conan era um membro da horda uivante, sedenta de sangue, que surgiu das colinas do norte, arremeteu-se com espada e tocha contra a fortaleza e empurrou os aquilônios para além de suas próprias fronteiras. Por ocasião do saque de Venarium, sem ter atingido ainda sua estatura de adulto, Conan já tinha 1,83 metro de altura e pesava 90 quilos. Ele tinha a astúcia e a prontidão do homem da floresta, a resistência férrea do homem das montanhas, o físico hercúleo de seu pai ferreiro e conhecia bem o uso da faca, do machado e da espada’.

Crônicas da Nemédia

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